Lula e os 40 milhões de pobres brasileiros

A trajetória atroz do experimento socialista tupiniquim

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A cantilena dos 40 milhões de brasileiros removidos da linha de pobreza absolve Lula dos seus processos judiciais. No sentido filosófico, o argumento por si só é falacioso, ou seja, não é válido. Seria o mesmo que absolver Lênin, Hitler e Mussolini pela hediondez de seus crimes em troca do vertiginoso crescimento econômico – que é verdade – experimentaram aqueles países governados por tão  “carismáticos” senhores. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria o grande filósofo Tim Maia. Uma é a culpa de Lula, outra, o seu mérito administrativo. Mérito?

Não é verdade que o lulopetismo (que inclui o período de Dilma Rousseff) retirou essas 40 milhões de pessoas da linha de pobreza, que de acordo com os dados oficiais do Banco Mundial gira em torno de 387,07 reais mensais per capita. Não há correspondência entre o discurso e a realidade. É mentira. Os dados recentes do IBGE, de dezembro de 2017, não deixam margem alguma de dúvida de que a passagem de Lula pelo Palácio da Alvorada foi a volta sensacional do cãozinho em torno do próprio rabo. O impressionante filme que jamais existiu cujo título marca bem a gestão petista: “A volta dos que não foram”. Foram, para trás. O IBGE indica que o número aumentou para 50 milhões de pessoas que vivem na linha de pobreza, e sublinha o legado sombrio de mais de 13 milhões de desempregados, e uma dívida interna e externa brutal. Pior quadro da economia nos últimos 30 anos.

O fato se explica por outros tantos da história, como os que aconteceram, por exemplo, nos regimes totalitários citados a pouco. No curto prazo, as intervenções econômicas estatais, seja a ideologicamente inclinada à direita – como no Brasil a partir de 1964-, ou as de esquerda – como em Cuba e China-, sempre obtiveram números impressionantes de crescimento econômico. Basta lembrar as políticas anticíclicas keynesianas aplicadas em diversos países mundo afora, desde o New Deal nos Estados Unidos. No longo prazo, no entanto, tais políticas de indução econômica mostram-se desastrosas. O fim é invariavelmente o mesmo: carga tributária elevada, inflação, corrupção, desemprego, pobreza severa e déficit público incontrolável.

Para entender a espiral descendente lulopetista é simples. Basta não trocar os fatos “estúpidos” da realidade pela “visão além do alcance” da utopia progressista. Vou desenhar. A força-tarefa da intervenção promove uma blitz em determinadas regiões, particularmente através de obras no setor da construção civil – pois acredita-se que esse seja um campo estratégico para impulsionar a economia em todos os níveis. Alocam-se os recursos, empregos são gerados, com foco perigoso de mão de obra. A cadeia econômica é aquecida, particularmente onde está plantado o local do investimento, com o aporte súbito e fabuloso de recursos. Esse deslocamento, por assim dizer, artificial, gera um crescimento nominal, de curto prazo, não holístico, camuflado pela média aritmética sorrateira.

Enquanto isso, na sala de justiça, irrompe uma turbulência na oferta e na procura tanto no epicentro da intervenção quanto em outras localidades, gerada pelo impacto dessas rajadas de recursos desnivelados. O desemprego gradualmente se eleva pela ausência de mão de obra especializada em alguns setores, transferida para o alvo da ingerência estatal.  O consumo lá se eleva enquanto no entorno se retrai. Empresas menores não suportam o encolhimento de suas receitas. O desemprego aumenta. Apesar das boas intenções, a riqueza anterior difusa no tecido amplo da sociedade, da qual se fez o investimento estatal irresponsável, é exaurida pela elevação dos preços. Em outras palavras, é a lógica – com a devida vênia – do cobertor São Vicente onde ao se cobrir a cabeça, os pés ficam descobertos.

Iludido pelos primeiros números e a fim de manter o nível voraz de investimento, a persuasão política do governo o faz arrecadar com eficácia cruel. Aliás, pasmem, o Brasil dá aulas ao mundo como um dos mais eficientes arrecadadores do globo terrestre. Nessa ação diligente, a União tenta a todo custo expandir a carga tributária, inclusive para supostamente assegurar a distribuição da renda e mais induções sobre a economia. Amplia-se o controle via burocracia, com tentáculos tão extensos que inviabilizam o serviço, cada vez mais caro, ineficaz e, ironicamente, incontrolável.

O que ocorre em seguida? Mais impostos, maior volume de dinheiro em circulação pelos canais da burocracia, mais tentação para o roubo. Fica tão fácil roubar que a corrupção no seio da burocracia se serve da própria estrutura para organizar o crime e formar quadrilha. Questões de logística, meu caro. A arrecadação tem efeito anticoncorrencial sobre quem é pequeno empreendedor; aumenta o custo dos negócios; afasta o investimento; e, por fim, mais desemprego. A dessincronização dos preços se pronuncia, instala-se um descompasso dos estoques, do abastecimento  e se desencadeia o processo inflacionário mais perverso, não de demanda mas de custo: os preços estouram na ponta final da cadeia produtiva, com tributação sobre tributação.

E depois? No já conhecido ambiente patrimonialista brasileiro, com seus feudos que parasitam o poder, nunca se viu na história desse país um pacto tão macabro de pagamentos de impostos fiéis ao governo por aqueles que aguentam pagar. Pá de cal: o poderio econômico se junta ao poder político e aí, salve-se quem puder. Pobreza, desemprego, inflação convivem muito bem com a formação de novas fortunas. Não é estranho que a fortuna de Lula equivalha a 397 anos de salários como presidente, acumulados em 13 anos de governo petista? Não é assustador que a “elite opressora” composta de banqueiros, construtoras, mineradoras, políticos, burocratas, conglomerados como a JBS, da noite para o dia, transformaram-se nas maiores fortunas do mundo? E a distribuição de renda tão sonhada não se concretizou na realidade. É, de boas intenções o inferno fica cada vez mais quente.

A obsessão intervencionista não passa de um ídolo da alma bruxa que tenta gerar do seu caldeirão a fórmula mágica para erradicar a pobreza. Na verdade o feitiço só faz virar contra o feiticeiro.  O aumento da conta de luz em mais de 48% na gestão de Dilma, a taxa básica de juros que atingiu o patamar de mais de 14%, o corte fabuloso nos gastos com saúde, segurança e moradia – em torno de 26 bilhões de reais – elevaram ainda mais a pobreza, sobretudo na região nordeste do país, o alvo primordial do programa Bolsa-Família. Ou seja, quem pagou a conta do inevitável crescimento econômico foram as camadas da população que o governo petista jurou defender.

O que aconteceu nos últimos anos no Brasil foi mais um capítulo do fatídico e muito bem conhecido filme do “experimento socialista” que nunca, nunca emplacou em qualquer parte do planeta. Na verdade, a impressão de que dá certo advém da riqueza já existente, dilapidada passo a passo, ao longo da gestão socialista. Dura até acabar. Cuba antes de Fidel, Venezuela antes de Chávez ocupavam lugar de destaque na economia das Américas. Os dados não mentem. Eles assumem o poder, suas economias crescem e depois retornam para um lugar aquém de onde estavam.

Infelizmente o Brasil seguiu esta trajetória atroz. E pior do que a dilaceração econômica, o efeito moral terrível deixado pelo esquerdismo levará anos para ser banido. Os níveis de violência, a canalhice, a impunidade, a delinquência estão aí a olhos vistos e claro, a indiferença pelo pobre aumenta quando se terceiriza para o governo a responsabilidade pelo trabalho e a caridade. Que o infortúnio de agora sirva de advertência para que ninguém no futuro caia novamente no conto do vigário da inépcia e do pensamento revolucionário, seja ele de esquerda ou de direita. O caminho deve ser outro. Mas ficará para o próximo artigo.

2 comentários sobre “Lula e os 40 milhões de pobres brasileiros

  1. Querido Wellington

    Alguns posts estão sem data… creio que seria mais enriquecedor situá-los temporalmente para maior compreensão de todos os detalhes…

    Abs e Parabéns pelo primor no excelente trabalho e leitura social

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